Jacques de Molay


Jacques de Molay - Mestre do Templo
Gravura de Ghevauchet - Século XIX

Poucos anos após o desastre de Acre, o papa Clemente V
escreve aos mestres do Hospital e do Templo (06/07/1306)
insistindo que ambos lhe enviassem, por escrito, suas opiniões
sobre uma nova Cruzada para reconquista dos reinos latinos,
e a possível fusão entre as duas Ordens.Pedia-lhes também que
viessem encontra-lo em Poitiers para discutirem a respeito.

Jacques de Molay, Mestre do Templo chegou no final
de 1306, talvez início de 1307, e Fulques de Villaret, Mestre do
Hospital,ocupado com os negócios da Ordem, em Rodes, pouco
depois.

Molay informado sobre os rumores caluniosos que corriam sobre
sua Ordem, desde 1305, rumores que o rei de França e seus
conselheiros pareciam levar à sério.
Surpreso e indignado, o Mestre defendeu sua Ordem, e pediu
ao papa que abrisse uma investigação para purificar o Templo
de qualquer suspeita, sendo sua solicitação aceita por Clemente

De volta a Paris, o Grão Mestre encontrou-se com o rei e
assistiu às exéquias de Catarina, mulher de Carlos de Valois,
irmão de Filipe.
Nada parecia indicar a tragédia que se avizinhava, mas no
entanto a 13 de Outubro de 1306, em virtude de uma ordem de
Filipe, datada de 14 Setembro, enviada a todos os bailios e
senescais do reino (e mantida em sigilo por cada um deles, o
que é espantoso) foram presos todos os cavaleiros do Templo
em solo francês.

Seguiu-se a isto uma sucessão de atrocidades que culminaram
com o assassinato dos Templários, mas cujo objetivo, desde
o início, foi latrocínio puro e simples.
Latrocínio estatal, mas ainda latrocínio.
Filipe ambicionava os bens do Templo, e esta foi a forma que
encontrou para obtê-los.E os obteve...

A leitura das minutas dos interrogatórios do Templo, muitas vezes
causam a impressão de que o "espírito" os havia abandonado.
Entretanto, o fim do Grão Mestre Jacques de Molay daria o
que pensar...
No curso desses interrogatórios, nem ele e nem os outros grandes
dignitários haviam brilhado particularmente pela finura das
respostas ou pela virilidade da postura diante de seus torturadores.

Entretanto, aos 18 de março de 1314, quando a Ordem já havia sido
extinta, dois anos antes, por uma bula papal, Jacques de Molay,
Grão Mestre, e os Visitadores Hughes de Payraud, Geoffroy de
Gonnerville e Geoffroy de Charnay,encarcerados há quase oito anos,
compareceram ao átrio de Notre-Dame de Paris.

Haviam sido conduzidos até lá, diante da multidão, para que ouvissem
a sentença de sua condenação à prisão perpétua.

Então, de Molay tomou a palavra, e negou que as heresias e pecados
que lhes atribuíam fossem verdadeiros, e que a regra do Templo era
santa, justa e católica.
Entretanto, afirmou que ele próprio merecia a morte, e se oferecia para
suporta-la com paciência, pois devido ao medo da tortura e às lisonjas
do papa e do rei de França, maculara sua Ordem com confissões
inverídicas, às quais negava e repudiava naquele momento.
Geoffroy de Charnay associou-se a ele, declarando serem falsas
todas as confissões contra a Ordem obtidas sob tortura.

Segundo as leis da Inquisição, um réu confesso ( com ou sem tortura)
que renegasse a própria confissão, era considerado "relapso", e enviado
ao fogo sem qualquer formalidade.
De Molay e Geoffoy, o preceptor da Normandia, tal não ignoravam, e
assim aconteceu.
Declarados imediatamente hereges relapsos, os dois prisioneiros
foram imediatamente entregues ao preboste de Paris, e queimados
neste mesmo dia.

A divisa templária, contudo, diz muito mais sobre esta estranha
ordem de monjes combatentes, que qualquer papa , rei ou inquisidor.

"Non nobis, Domine, non nobis sed nomini tuo da gloriam"
" Não para nós, Senhor, mas para maior glória do teu nome"
E foi este 'Non nobis" que fez deles cavaleiros...

Sigilo do Grão Mestre na qualidade de
Chefe de Exército
" Millites Templi Salomonis" - (1235)



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